Memória de Santa Inês, Virgem e Mártir
O amor que nasce de Deus torna o coração livre até diante do medo.
Evangelho do Dia – Mc 3,1-6
Naquele tempo,
1 Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca.
2 Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusa-lo.
3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!”
4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou o mal? Salvar uma vida ou deixa-la morrer?”. Mas eles nada disseram.
5 Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração, e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada.
6 Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram contra Jesus, a maneira como haveriam de mata-lo.
Reflexão
Jesus nos revela que o bem não conhece tempo proibido. Curar, aliviar, levantar, restaurar - sempre é tempo de fazer o bem.
Os fariseus, presos à rigidez da lei, esperam para acusar. Jesus, movido pela compaixão, espera apenas para salvar.
No centro da cena está o homem de mão seca - símbolo de tudo o que em nós perdeu vitalidade: sonhos ressecados, afetos feridos, capacidades que deixamos de exercitar.
Jesus o chama para o meio, para que não se esconda mais na sombra, para que sua ferida se transforme em lugar de graça.
A cura acontece quando temos coragem de estender a mão - mostrar o que está seco, confiar que Ele pode restaurar.
Desdobramento para a Vida
Reconhecer o que em mim está “ressecado” é um gesto de lucidez e humildade. Há áreas da vida que, por cansaço, feridas antigas ou excesso de defesas, perderam vitalidade e esperança. Identificá-las é o primeiro passo para permitir que a graça devolva frescor, sentido e vida nova ao que parecia estagnado.
Estender a Deus minhas fragilidades sem medo é um ato profundo de confiança. Jesus não se afasta daquilo que é frágil; ao contrário, aproxima-se para tocar, sustentar e curar. Quando entrego minhas limitações sem máscaras, descubro que a força de Deus se manifesta justamente onde me reconheço mais vulnerável.
Lembrar que, para Jesus, o bem sempre tem prioridade orienta meu modo de agir e discernir. Ele não se prende a formalismos que ferem a vida, mas escolhe sempre aquilo que restaura, liberta e humaniza. Essa lembrança me ajuda a relativizar rigidezes e a escolher caminhos que promovam o bem concreto das pessoas.
Evitar julgamentos rígidos e abrir espaço à misericórdia é permitir que o coração se torne mais semelhante ao de Cristo. Julgamentos fecham portas; a misericórdia cria possibilidades. Ao suavizar o olhar e escutar com mais profundidade, aprendo a reconhecer no outro alguém em processo, assim como eu.
Por fim, ser instrumento de cura e não de acusação é assumir uma postura evangélica no cotidiano. Palavras, gestos e atitudes podem ferir ou restaurar. Escolher curar é optar por uma presença que acolhe, encoraja e aponta caminhos de esperança, tornando visível a ternura de Deus no meio da vida.
Perguntas para o Coração
- Qual “mão seca” preciso apresentar hoje ao Senhor?
- Em que situações a rigidez me impede de fazer o bem?
- Tenho coragem de me colocar “no meio”, sem máscaras?
- A compaixão ou a crítica governa meu coração?
- Que gesto de bondade posso realizar hoje, mesmo que pareça pequeno?
Bênção para o Dia
Que Jesus te chame para o centro da vida
e cure o que está ressecado em ti.
Que teu coração seja governado pela misericórdia
e jamais pela dureza.
Que teu dia seja marcado por gestos de bem
que florescem mesmo em terrenos áridos.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.